Graças a Deus

Bom dia caros leitores e caras leitoras!

Hoje estou a escrever cá porque ontem lembrei-me de uma visita que fiz ao cinema, há já alguns meses, com um amigo francês da universidade para ver um filme de François Ozon, o meu realizador francês preferido, e fiquei embasbacada.

O filme chamava-se "Graças a Deus" e tratava sobre os abusos de um padre pederasta às crianças da Igreja de Lyon durante a década dos oitenta. Uma história terrível. Havia mais de cem vítimas. Podem acreditar? Porém, o que é ainda mais surprendente: ninguém tinha falado em trinta anos.

Acaso, também a semana passada li no jornal um artigo sobre psiquiatria infantil. Nele, uma doutora dizia que "as experiencias adversas da infância têm um brutal impato na reducção do tempo médio de vida" e apoiava-se em estudos científicos. Acho, então, que deveríamos ser capazes de, com a ajuda de profissionais, valorizar mais os testemunhos das crianças; para assim poder solucioniar estes problemas no momento em que eles ocorrem, não depois de décadas quando talvez as suas cosquências já sejam irremediáveis.