História de Lisboa - Primeira Parte

Sob o vento das nortadas, que trouxe consigo a abundância pesqueira e esquisitos convidados ao jantar do comércio, nasceu a cidade de Lisboa, bebendo entre as suas sete colinas da água que o Tejo faz chegar, cheia das bisbilhotices da Espanha, até o mar da Palha.

A sua história, alvo destas linhas, se bem não é vulgar, não é única nem mesmo independente daquelas que se criaram noutras grandes cidades da nossa penînsula que, assim como ela, também contaram com inúmeros nomes e civilizações.

"Olissipo", "Alusbuna" ou "Ulish-bona", como os meus leitores cordatos prefiram chamá-la, foi fundada -segundo a lenda- por Ulises e habitada por povos diversos que nela puseram as suas bases: construíram o Castelo, as suas primeiras ruas e muralhas, dentro das quais colocaram para sempre o corpo do padroeiro, São Vicente de Fora.

Porém, a sua história começa, na verdade, no dia em que Martim Monitz arrombou com os seus braços de héroi as portas da cidade muçulmana e deixou entrar nela aos portugueses, que levavam consigo a sua doença. Desde então, Lisboa tem sido o brinquedo de um fado caprichoso que prova a sua paxorra, interrompendo as tentativas de grandeza com catástrofes que fazem voltar, magoada, para a escuridão.